Tive um dia maravilhoso, sábado, com a Cah - fizemos 4 meses. No Domingo voltei para casa, pois tinha um trabalho de Brasileira para terminar. Na volta... passo pela Sé, então me aconteceu algo, que queria saber escrever aqui, não sei se para quem lê ou para mim mesmo; seguindo minhas limitações e tentando às superar eu me arriscarei, desculpem-me pela falta de estilo.
Estava na fila, esperava o ónibus como tantas vezes fiz; bom, não sei se já tiveram a oportunidade de passar no centro, num domingo - resumindo é bem diferente do que nos dias normais... há vários carros bonitos do lado de fora da igreja, há turistas tirando foto, mas com o detalhe de mostrar a igreja e se for possível não deixar aparecer os degraus, ora pois, há pessoas estranhas ali. Numa média geral é bem mais vazio que na semana -então, voltando a narração....rs...
Estava na fila, escutava música no mp3; quando um homem se aproximou da fila. Ele andava com dificuldade, provavelmente houvera sofrido um trauma, um derrame e infelizmente não teve o cuidado necessário, pois também falava com dificuldade. Continuou se aproximando, então, pedia um real para as pessoas; estancou em frente a uma mulher e pediu insistentemente aquele um real e dizia que estava com fome - isso tudo com uma esforço enorme. A mulher acabou dando dinheiro a ele, que parecia ficar mais agressivo a cada minuto. Dai ele passou pela fila, sentou num canto e fez algo que nunca imaginaria naquele contexto - não com a agressividade que parecia conter em sua fronte.
Ele chorou.... chorou..... e chorou... com gritos e lagrimas que não eram para nós, da fila, era um sofrimento internas,ele chorava para ele mesmo - aquele um real, dado por uma mulher que tinha mais medo, do que compaixão, produziu algum efeito naquele homem, inesperado por mim.
Aquilo me surpreendeu de tal forma que a cada grito de dor, eu tinha que me prender na aparente concretude daquela cidade, daquele local, da música; pois senti que voltava para um lugar que tenho muito medo - para mim mesmo... para meu interior....para minhas crises. Mas dessa vez, com muita força.
Fiquei com medo de me perder em mim mesmo, mas os gritos continuavam, e eu não conseguia me mover dali, nem para ir embora, nem para ajuda-lo. O que eu poderia fazer?! o que nós poderiamos fazer!?
Aquilo durou, para mim, uma eternidade. Não sei quantas vezes desejei que o ônibus me tirasse rápido, não dali, mas de mim. Que o ato de andar me despertasse, da solidão que estava caindo. Engraçado quando um outro me faz cair numa profunda interioridade.
MAs o que me fez voltar de verdade, e não permitiu cair em crises - de alguma maneira eu estava sentado naquela calçada, com aquele homem - e o que me levantou, foi a visão de uma rosa que estava na mão de um senhor, na fila proximo a mim. Aquela Rosa me fez voltar a minha concretude, minha literatura, meu amor, minha amiga, minha força para voltar, minha força de acreditar que é possível...
A Rosa , era a cah, que me estendia a mão e dizia: "Meu bem, não chores,/ hoje tem filme de Carlitos". Sei que parece bobo... mas naquele momento, naquela angustia me era o que precisava: Cada um se agarra no que é importante para si.E ela é para mim...
O ônibus chegou, entrei e perdi de vista aquele homem - que por minutos, dividiu uma calçada comigo, mas que de alguma maneira despertou pensamentos, medos, duvidas, amizades, saudades e amor que durarão tempos longos em mim - ainda sei que pensarei muitas coisas sobre aquilo... por hoje escrevo apenas isso!!
Novamente, desculpem-me a falta de estilo, as orações mal construidas e a confusão de idéias... mas de certa maneira, isso representa o que sou...eu acho.
Obrigado a meu amor.... que sou apaixonadissimo, mas que não permite que eu fique cego. Preciso de você.
P,S. Adivinhe!
( não colocarei foto de pessoas morrendo de fome, de sede ou de qualquer forma degradante - acho que não precisamos desse tipo de coisa...)